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Nota Técnica sobre Reprocessamento de video-laparoscopios

22/05/2007 00:00:00

Nota Técnica sobre Reprocessamento de video-laparoscopios Comissão Estadual de Controle de Infecção em Serviços de Saúde (CECISS) Associação Paranaense de Controle de Infecção Hospitalar (APARCIH) Devido a ocorrência preocupante de infecçôes por Micobactérias, em larga escala nos estados do Pará, Rio de Janeiro, Mato Grosso, São Paulo e Distrito Federal, a CECISS e APARCIH realizaram reunião técnica, no último dia 22/05/20007, com a participação de representantes de Hospitais Sentinela e Hospitais de referência de Curitiba – PR, a fim de elaborar em conjunto recomendaçôes técnicas preventivas. A provável causa destas infecções causadas por micobactérias é o reprocessamento inadequado dos vídeo-laparóscopios . Portanto a CECISS e APARCIH com o objetivo de alertar e orientar os profissionais de saúde que atuam nesta área, elaboraram em conjunto as informações técnicas descritas abaixo. 1) Micobactérias não tuberculosas (MNT) de crescimento rápido (MCR) – Grupo IV - Mycobacterium abcessus - Mycobacterium fortuitum - Mycobacterium chelonae Estas bactérias vivem no solo em água potável até 30graus, são resistentes a baixas concentrações de cloro e produzem biofilme que as protege. 2) Transmissão A transmissão em estabelecimentos de saúde de MCR ocorreu associada a diversos procedimentos cirúrgicos vídeo-laparoscópios, endoscópios, broncoscópios, entre outros, procedimento estes, realizados sem o devido rigor de unidades preventivos de infecção. As infecções ocorreram principalmente associadas aos instrumentais de difícil limpeza, favorecendo a formação do biofilme. Outro dado observado, foram falhas no manuseio da solução desinfetante, mais comumente utilizada, o glutaraldeído. 3) Quando suspeitar de infecção por MCR? • Infecções de pele e/ou tecido celular subcutâneo com sinais e sintomas como dor, nódulo e/ou abcessos com aspecto esbranquiçado, podendo evoluir com fístula, próximos aos orifícios de entrada de trocateres. • Infecções que não respondem aos antimicrobianos usuais. Outro dado importante é o período de incubação,o qual pode variar entre 7dias a até 2 anos. 4) Diagnóstico • Coletar material por punção com seringa, aspirando o maior volume possível da secreção • Solicitação de cultura específica para micobacteria OBS:materiais colhidos por swabs são inadequados devido ao ressecamento do mesmo. 5) Tratamento A base do tratamento é o debridamento, pois reduz a carga bacteriana. Na escolha do antimicrobiano existem controvérsias sobre o melhor esquema,o ideal é realizar a escolha baseado no antibiograma. Para o M. abcessus a droga mais eficaz é a claritromicina associada ou não a aminoglicosídeo, carbapenêmico, linezolida ou outra de ação bactericida. O tempo de tratamento varia conforme gravidade de lesão e a espécie, em geral está em torno de 6 meses, podendo extender-se por até 1 ano. 6) Medidas preventivas • Os estabelecimentos de saúde devem preferencialmente adquirir equipamentos próprios , com rotinas estabelecidas, profissionais treinados e local adequado para o reprocessamento destes materiais. • Uso com cautela do glutaraldeído, uma vez que esta solução, não possui controle seguro, pois vários fatores interferem na sua eficácia , tais como: forma de diluição, presença de matéria orgânica, forma de imersão, tempo de uso, entre outros.O tempo de imersão atualmente utilizado de aproximadamente 40min, é considerado apenas desinfecção de alto nível(não elimina esporos), para esterilização é necessário o tempo mínimo de 8 horas e já existem relatos de micobactérias resistentes, a este tempo de exposição ao gluraraldeído. Portanto seu uso é muito propenso a falhas. • Novos produtos estão surgindo no mercado com tempo de esterilização factível (30min), a base de ácido peracético, porém precisam ser devidamente validados e também estão sujeitos a falhas de manipulação. • O ideal é realizar a esterilização do material de vídeo-laparoscópio, por tratar-se de material crítico e devido a sua característica de termossensibilidade, as opções atuais são o óxido de etileno ou plasma de peróxido de hidrogênio. Sugerimos que todos os serviços de saúde que utilizem os equipamentos citados realizem vigilância através da busca ativa pós-alta dos pacientes submetidos a estes procedimentos, através dos respectivos Serviços /Núcleos de Controle de Infecção Hospitalar(SCIH/NCIH).Assim como ,recomendamos que as equipes cirúrgicas que utilizem estes equipamentos também, notifiquem rigorosamente os respectivos SCIH / NCIH de seus estabelecimentos, a fim de que medidas de controle sejam implantadas. Referências: 1. Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica- Nota Técnica n°2/DEVEP/SVS/MS 2. Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Sáude de São Paulo 3. Jornal do CREMERJ- Março 2007 4. Simpósio Internacional de Infecções Relacionadas a Assistência a Saúde- Maio/2007- RJ Dra. Heloisa Ihle Garcia Giamberardino Presidente APARCIH e CECISS www.aparcih.org.br

Fonte: Comissão Estadual de Controle de Infecção em Serviços de Saúde (CECISS) Associação Paranaense de Controle de Infecção Hospitalar (APARCIH)

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